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Sinopse

Num bar à beira do rio, alguns homens conversam sobre a importância de saber ler e escrever. Um deles, Zaqueu, conta a história de sua pequena cidade, Javé. Ameaçada de desaparecer sob as águas de uma usina hidrelétrica, Javé só poderia ser salva se provasse a sua importância como patrimônio histórico ou cultural do país. Como os habitantes da cidade são analfabetos, concordam em chamar Antonio Biá para redigir a história da gloriosa formação do povoado. Biá já demonstrara possuir imaginação fértil e muita graça quando passou a escrever cartas contando detalhes picantes, inventados ou aumentados, sobre os moradores de Javé, para evitar que a agência dos Correios local fechasse e ele perdesse seu emprego. Por essa proeza, tinha despertado a ira de todos e sido expulso da cidade.

 

 

Sobre o filme

Em 1998, quando terminava seu primeiro longa-metragem, Kenoma, Eliane Caffé soube da história real de Pedro Cordeiro Braga, funcionário dos Correios de Vau, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Para garantir seu emprego numa terra de analfabetos, Pedro inventava e enviava cartas. Eliane trocou correspondência com ele e depois o conheceu pessoalmente.

 

Nas muitas viagens que fez pelo interior de Minas e da Bahia, a diretora ouviu e coletou muitos outros "causos". Foi colando essas histórias ouvidas com outras inventadas que o roteiro de Narradores de Javé foi construído.

 

O lugar escolhido para rodar o filme foi Gameleira da Lapa, no interior da Bahia, com algumas tomadas feitas em Lençóis. Uma das idéias era a participação dos moradores da cidade como atores, para criar um lado documental dentro da ficção.

 

Durante três meses, a equipe conviveu intensamente com os habitantes. Algumas dessas pessoas do povoado acabaram criando personagens fortes, que ganharam projeção na narrativa do filme, principalmente Dona Dalva, que se esmerou na troca de insultos (improvisados) com José Dumont.

 

A não ser pelos rostos conhecidos de outros trabalhos, fica difícil distinguir o elenco profissional do não profissional.

Um dos pontos altos da participação dos moradores foi a seqüência de depoimentos feitos para a câmera digital dos empregados da hidrelétrica: eles se emocionaram muito ao imaginar as águas tomando conta de suas casas, e defenderam com paixão o direito à manter seu espaço e suas tradições.

 

O contato com a equipe do filme trouxe várias mudanças em Gameleira da Lapa. Uma delas, a coleta de lixo, que já não existia há 11 anos e agora tem inclusive reciclagem. Atualmente existe um movimento de moradores para mudar o nome da cidade para Javé.

 

 

Sobre a diretora

Eliane Caffé é natural de São Paulo, nasceu em 1961. Em 1986, graduou-se em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em 1987 conseguiu uma bolsa outorgada pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños (Cuba), para o taller de Dramaturgia e Roteiro. Em 1990 iniciou curso de Mestrado no Instituto de Estética y Teoria de las Artes - Universidade Autônoma de Madri, Espanha - bolsa outorgada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Iniciou sua carreira de cineasta com três curtas metragens, os quais ganharam diversos prêmios no Brasil e no circuito internacional. Em 1997, realizou o seu primeiro longa metragem Kenoma, que foi selecionado para a 55ª Bienal de Veneza (Prospettive) e para a 23ª Mostra Anual do Festival Internacional de Cinema de Toronto.

 

 

Premiações

O filme ganhou vários prêmios em festivais nacionais e internacionais

 

 

Ficha técnica

Comédia / 2003 / 100 min

Direção: Eliane Caffé

Roteiro: Luiz Alberto de Abreu e Eliane Caffé

Fotografia: Hugo Kovensky

Direção de Arte: Carla Caffé

Música: DJ Dolores e Orquestra Santa Massa

Edição: Daniel Rezende

Elenco: José Dumont, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas, Rui Resende, Gero Camilo, Luci Pereira, Nelson Xavier

 

 

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